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Introdução aos Fechamentos para a Menor Tensão em Motores Monofásicos

Os motores monofásicos são amplamente utilizados em diversas aplicações, e muitos modelos são projetados para operar em sistemas de dupla tensão, permitindo flexibilidade na alimentação elétrica. Para que esses motores trabalhem em suas características nominais, é essencial realizar o fechamento (ligação dos terminais) de forma correta, garantindo que as bobinas recebam a tensão para a qual foram projetadas. Este artigo técnico foca no fechamento para a menor tensão de alimentação, um conceito fundamental para eletricistas iniciantes e um conhecimento obrigatório para profissionais da área.

O Princípio da Configuração Monofásica

Um motor monofásico projetado para dupla tensão possui na sua caixa de ligação um total de seis terminais disponíveis para conexão externa. Quatro desses terminais pertencem aos dois polos da bobina principal, e dois terminais pertencem ao conjunto da bobina auxiliar. As bobinas principais não são interligadas internamente, justamente para permitir que o motor seja configurado para uma tensão maior (ligação em série) ou uma tensão menor (ligação em paralelo). A bobina auxiliar, por sua vez, geralmente já está conectada em série com o capacitor de partida e o platinado.

A regra fundamental para operação em dupla tensão é que, para ligar o motor na menor tensão, as bobinas principais devem ser ligadas em paralelo.

A Tensão Nominal das Bobinas

Ao analisarmos a placa de identificação de um motor (por exemplo, 120/240 V), entendemos que ele pode ser alimentado por 120 V (menor tensão) ou 240 V (maior tensão). Este dado indica também que cada conjunto de bobina individual (principal e auxiliar) foi projetado para operar sob a menor tensão, ou seja, 120 V.

É crucial que, independentemente da tensão de alimentação da rede (120 V ou 240 V), cada bobina receba sua tensão nominal, que neste exemplo é 120 V.

Fechamento para a Menor Tensão (Paralelo)

Consideremos um motor 120/240 V que será ligado em uma rede de 120 V. Como 120 V é a menor tensão, o fechamento deve ser em paralelo.

A ligação em paralelo das bobinas principais é feita interligando a entrada de uma bobina com a entrada da outra (início com início) e a saída de uma bobina com a saída da outra (saída com saída). Esses conjuntos interligados são então conectados aos condutores de alimentação (L1 e L2, ou Fase e Neutro).

Em um circuito paralelo, a tensão que incide sobre cada componente é igual à tensão da fonte. Se a fonte é de 120 V, ao conectar as bobinas principais em paralelo, cada bobina receberá exatamente 120 V. Desta forma, o motor trabalha dentro de suas características nominais.

A bobina auxiliar também deve ser ligada em paralelo com as bobinas principais e com a fonte, pois ela também é projetada para receber 120 V.

Configuração de Terminais

Na caixa de ligação, os seis terminais são combinados. Utilizando a numeração padrão (1 e 2 para o primeiro polo principal, 3 e 4 para o segundo polo principal, e 5 e 8 para a bobina auxiliar), o fechamento em paralelo para a menor tensão é realizado agrupando os terminais:

  1. Grupo L1: Terminais 1, 3 e 5.
  2. Grupo L2: Terminais 2, 4 e 8.

Este fechamento conecta as entradas das bobinas principais (1 e 3) e o terminal da bobina auxiliar (5) a um condutor de alimentação (L1). Conecta as saídas das bobinas principais (2 e 4) e o outro terminal da auxiliar (8) ao outro condutor de alimentação (L2).

Exemplo prático de configuração de terminais para 120 V (Sentido A):

  • L1 (Fase/Linha 1): 1, 3, 5
  • L2 (Neutro/Linha 2): 2, 4, 8

Essa configuração define o sentido de giro inicial do motor (por exemplo, anti-horário).

Inversão de Rotação na Menor Tensão

Para inverter o sentido de giro de um motor monofásico, é necessário alterar o sentido da corrente apenas na bobina auxiliar. Isso é feito invertendo a ligação dos terminais 5 e 8, que são os terminais da bobina auxiliar.

Exemplo prático de configuração de terminais para 120 V (Sentido B – Invertido): Para inverter o sentido de giro (por exemplo, para horário), a bobina principal (1, 3 e 2, 4) permanece conectada aos mesmos condutores, mas os terminais 5 e 8 são trocados:

  • L1 (Fase/Linha 1): 1, 3, 8
  • L2 (Neutro/Linha 2): 2, 4, 5

Por que Inverter L1 e L2 Não Funciona?

Um erro comum, especialmente para iniciantes, é tentar inverter a rotação trocando os condutores de alimentação (invertendo Fase e Neutro ou L1 e L2), como se faz em motores trifásicos.

Nos motores monofásicos, inverter a alimentação (trocar L1 com L2) não inverte o sentido de rotação. Isso ocorre porque a inversão da alimentação reverte o sentido da corrente tanto na bobina principal quanto na bobina auxiliar simultaneamente. Para que ocorra a inversão de rotação, o sentido da corrente da bobina auxiliar deve ser oposto ao sentido da corrente da bobina principal, condição que só é alcançada trocando-se os terminais 5 e 8.

O fechamento para a menor tensão é, portanto, um procedimento simples, baseado na lógica do circuito paralelo, que garante a tensão nominal em cada bobina. A inversão de rotação, embora fácil, exige a compreensão de que apenas a bobina auxiliar deve ter sua alimentação invertida.

Luis Henrique

Engenheiro Eletricista (UTFPR) com experiência na empresa Siemens e Braskem. Atua como Analista no Insper e Professor no SENAI, ensinando Comandos Elétricos, Energia Solar, automação e elétrica residencial e predial. Compartilha conhecimento técnico e vivências em Engenharia Elétrica.

Luis Henrique

Engenheiro Eletricista (UTFPR) com experiência na empresa Siemens e Braskem. Atua como Analista no Insper e Professor no SENAI, ensinando Comandos Elétricos, Energia Solar, automação e elétrica residencial e predial. Compartilha conhecimento técnico e vivências em Engenharia Elétrica.

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