Para a instalação, manutenção e diagnóstico corretos de motores monofásicos, o conhecimento do padrão de identificação dos terminais na caixa de ligação é indispensável. Assim como ocorre nos motores trifásicos, os motores monofásicos seguem um padrão rigoroso estabelecido por uma norma técnica brasileira, garantindo que profissionais da área elétrica possam realizar fechamentos de forma segura e padronizada.
O padrão de identificação para motores monofásicos é regido pela norma ABNT NBR 15367. Esta norma estabelece como os fabricantes devem identificar os terminais de saída do motor, utilizando dois métodos complementares: a numeração sequencial e o código de cores.
A Arquitetura Padrão de Seis Terminais
A maioria dos motores monofásicos (incluindo modelos com capacitor de partida, capacitor permanente ou dois capacitores) disponibiliza um total de seis terminais na caixa de ligação para que o eletricista realize o fechamento. Estes seis terminais são divididos entre os enrolamentos principal (de marcha) e auxiliar (de partida).
1. Terminais da Bobina Principal (T1, T2, T3, T4)
A bobina principal é responsável por sustentar o motor durante o regime contínuo de funcionamento. Estruturalmente, essa bobina é dividida em dois grupos ou polos.
Essa separação dos polos é crucial, pois ela permite alimentar o motor com duas tensões diferentes (por exemplo, 127 V e 220 V). Dependendo da tensão de alimentação disponível, o profissional pode ligar esses dois grupos de polos:
- Em paralelo: Para aplicar uma tensão específica no motor.
- Em série: Para aplicar uma outra tensão diferente no motor.
Devido a essa separação, a bobina principal disponibiliza quatro terminais na caixa de ligação, provenientes dos dois grupos de polos. A numeração padrão estabelecida pela NBR 15367 para esses terminais é:
- Primeiro grupo: T1 e T2.
- Segundo grupo: T3 e T4.
2. Terminais da Bobina Auxiliar (T5 e T8)
A bobina auxiliar é responsável por criar o campo magnético giratório necessário para iniciar o movimento do rotor. Diferentemente da bobina principal, a bobina auxiliar não é dividida em partes separadas que exigem um fechamento em série ou paralelo. Geralmente, os polos da bobina auxiliar já são interligados internamente no motor.
Essa interconexão interna faz com que a bobina auxiliar disponibilize apenas dois terminais na caixa de ligação. A numeração padrão para o conjunto auxiliar é T5 e T8.
É importante notar o salto na numeração (pulando T6 e T7). Este salto ocorre exatamente porque os enrolamentos auxiliares já estão conectados internamente, fornecendo apenas dois terminais de acesso para a bobina auxiliar. Em motores mais antigos ou variações regionais que não seguiam rigorosamente a norma atual, é possível encontrar o terminal T6 em vez do T8. Contudo, a numeração vigente é T5 e T8.
O Circuito Auxiliar e o Papel de T5 e T8
Os terminais T5 e T8 representam a saída para todo o circuito auxiliar. Em um motor com capacitor de partida, o circuito é composto por:
- A Bobina Auxiliar.
- O Capacitor de Partida.
- O Contato do Platinado (Interruptor Centrífugo).
Estes três componentes são ligados em série internamente. Assim, os cabos que chegam à caixa de ligação (T5 e T8) são, na verdade, os pontos externos desse conjunto em série. Por exemplo, um desses cabos pode ser o que vem do platinado, e o outro, o que vem da bobina auxiliar após passar pelo capacitor.
O Padrão de Cores da NBR 15367
A norma NBR 15367 também estabelece um código de cores para facilitar a identificação visual, embora a numeração no corpo do condutor seja o padrão primário. Esta correspondência entre número e cor permite uma identificação rápida, mesmo que o motor não utilize cores em seus cabos, ou vice-versa:
| Terminal (Número) | Cor Padrão (Isolamento) | Bobina Correspondente |
|---|---|---|
| T1 | Azul | Principal (1º Grupo) |
| T2 | Branca | Principal (1º Grupo) |
| T3 | Laranja | Principal (2º Grupo) |
| T4 | Amarela | Principal (2º Grupo) |
| T5 | Preta | Auxiliar (Circuito) |
| T8 | Vermelha | Auxiliar (Circuito) |
Na prática, muitos motores oferecem ambas as identificações – numéricas (T1, T2, etc.) no corpo do cabo e por código de cores – o que facilita enormemente a verificação. Profissionais devem sempre se basear na numeração sequencial (T1, T2, T3, T4, T5, T8) e não em outros padrões numéricos (como U1), que podem ser referências de motores trifásicos. A placa de identificação do motor também costuma apresentar o diagrama de fechamento e a correspondência cor/número para referência.
A correta identificação desses seis terminais é a base para realizar o fechamento do motor de acordo com a tensão disponível e, consequentemente, garantir a longevidade e o desempenho eficaz do motor monofásico.




