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A Placa de Identificação de Motores

Para profissionais da área elétrica, sejam eles iniciantes ou experientes, a leitura e a interpretação correta desse componente são etapas cruciais que garantem a longevidade do equipamento e a segurança da instalação. Ignorar ou interpretar erroneamente os dados de uma placa de identificação pode levar a um fechamento incorreto, resultando em sobrecarga e queima do motor.

Este artigo explora os principais itens contidos na placa de identificação de motores monofásicos, detalhando seu significado técnico e a relevância de cada parâmetro para a operação.


Dados Fundamentais e Características Construtivas

A primeira seção da placa geralmente se dedica à identificação básica. É comum encontrar o nome do fabricante (e.g., WEG, como em um exemplo analisado) e a data de fabricação.

Em seguida, símbolos específicos definem o tipo de motor. O símbolo de uma senoide com o número 1 no centro indica que o motor é monofásico. Isso significa que ele opera baseado em uma única onda senoidal, que é gerada por uma diferença de potencial entre dois condutores (seja fase-neutro ou fase-fase). Outro dado construtivo é o modelo da carcaça (e.g., C56), que estabelece as dimensões físicas padronizadas do motor.


Potência, Tensão e Corrente

A Potência Nominal é um dos dados mais importantes, pois representa a potência mecânica que o motor é projetado para entregar em seu eixo. Este valor é geralmente expresso em quilowatts (kW), cavalos-vapor (CV) ou horsepower (HP).

A conversão entre essas unidades pode ser feita pelas fórmulas:

f1

Assim, para um motor com potência de 0,45 kW:

f2

A Tensão Nominal define as tensões sob as quais o motor pode ser alimentado (e.g., 120 V / 240 V, adaptando os valores da fonte para 127 V / 220 V). A capacidade de operar em dupla tensão é viabilizada pela estrutura construtiva das bobinas principais, cujos polos são separados, disponibilizando quatro terminais (em vez de estarem ligados internamente como a auxiliar). Essa separação permite ao técnico configurar as bobinas principais.

  • Em série → para a maior tensão: V=240 VV = 240\,V

  • Em paralelo → para a menor tensão: V=120 VV = 120\,V

Em ambas as configurações, a tensão nominal de cada bobina é respeitada.

A Corrente Nominal (InI_n) depende da tensão aplicada e da potência:

f3

Assumindo η=0,85 (rendimento) e cos⁡ϕ=0,85:

f4

Para P=450 W:

  • Para V=120 V:

f6
  • Para V=120 V:

f7

(valor próximo ao indicado 3,00 A)

Desempenho e Sobrecarga

A Velocidade Nominal indica a rotação do eixo (em RPM – Rotações por Minuto) quando o motor opera em suas condições nominais, como 3.550 RPM.

A Frequência Nominal (f), em Hz, deve coincidir com a da rede elétrica (geralmente ).

O Fator de Serviço (FS) é uma margem de segurança que permite ao motor operar com potência maior por curtos períodos:

f8

Para Pn=0,45 kWP e FS=1,25:

f9

A Corrente com Fator de Serviço (AFS), portanto, será:

f10
  • Para 120 V: 7,00×1,25=8,75 A (aproximando o exemplo de 7,50 )

  • Para 240 V: 3,00×1,25=3,75 A (próximo de 3,50 )

A Corrente de Partida (IpI_p) é dada por:

f11

Se Ip/In=6,0:

f12

Proteção e Regime de Trabalho

A Classe de Isolamento B suporta até ( 130 C ), e a Temperatura Ambiente de projeto é ( 40 C ).
O Grau de Proteção (IP21) indica que o motor tem proteção contra objetos sólidos maiores que 12,5 mm e gotas verticais de água.

O Regime de Serviço S1 (contínuo) indica que o motor pode operar por tempo indeterminado, atingindo equilíbrio térmico.

Fechamentos e Inversão de Rotação

Os diagramas de fechamento da placa indicam como conectar os terminais:

  • Menor tensão (120 V) → bobinas em paralelo
  • Maior tensão (240 V) → bobinas em série

As ligações seguem a norma NBR 15367, que padroniza cores e numeração dos terminais.

A inversão de rotação ocorre pela troca da polaridade da bobina auxiliar:

Exemplo: trocar T5T8

Dominar a placa de identificação garante que o motor seja ligado de forma otimizada, respeitando os limites de potência, temperatura e corrente estabelecidos pelo fabricante, sendo, portanto, um conhecimento inegociável para a prática elétrica.

Luis Henrique

Engenheiro Eletricista (UTFPR) com experiência na empresa Siemens e Braskem. Atua como Analista no Insper e Professor no SENAI, ensinando Comandos Elétricos, Energia Solar, automação e elétrica residencial e predial. Compartilha conhecimento técnico e vivências em Engenharia Elétrica.

Luis Henrique

Engenheiro Eletricista (UTFPR) com experiência na empresa Siemens e Braskem. Atua como Analista no Insper e Professor no SENAI, ensinando Comandos Elétricos, Energia Solar, automação e elétrica residencial e predial. Compartilha conhecimento técnico e vivências em Engenharia Elétrica.

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